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Entrevista | Roo Panes: "A música te dá a oportunidade de ser você mesmo"

"Toda minha mudança de som tem sido um processo lento, e estou muito feliz com isso na verdade" o artista contou para a IndieOClock

Andrew 'Roo' Panes é um daqueles artistas que têm a habilidade de, mesmo em meio ao caos, acalmarem nossa alma com músicas sentimentais e reflexivas, que sempre vêm acompanhadas de letras bem introspectivas. Esse artista - e também modelo - com feição serena e alegre, nascido em Wimborne na Inglaterra, tem seu nome artístico vindo de uma história divertida. Panes recebeu o tal apelido 'Roo' em homenagem ao ursinho Pooh,  depois de acidentalmente cair em um rio quando era criança, o que também acontece com o personagem em uma de suas aventuras, contadas por A. A. Milne. 

Depois de ter recebido uma grande projeção em sua carreira musical com sua participação em um projeto da grife britânica Burberry, em 2012, o cantor folk vem produzindo bastante material desde então. Panes já conta com três EPs, lançados entre 2012 e 2013, e três álbuns de estúdio, Little Giants, Paperweights e o mais recente Quiet Man, de 2018. Em todo seu repertório o que temos é uma presença muita íntima e uma instrumentação reclusa que explora as várias possibilidades de seu violão de 12 cordas, pianos, violinos e outros instrumentos de cordas.

Se inteirando com a cultura brasileira, o cantor já tem uma de suas músicas em uma novela brasileira e shows marcados no país já para o próximo mês. Roo Panes será atração do Popload Gig em setembro, com três shows anunciados no Brasil. O primeiro acontece no dia (13) em Curitiba, no Ópera Arte; no dia seguinte (14) é a vez de São Paulo, no Fabrique, e por fim no dia (19) de setembro Roo se apresenta com o carioca Rubel no Rio de Janeiro, no Belmond Copacabana Palace (Golden Room). Em entrevista, o artista contou um pouco sobre como vem sendo seu amadurecimento musical, a importância do silêncio e como ele pretende continuar fiel a seu processo de produção. Confira:

Essa vai ser sua segunda vinda ao Brasil, você veio a primeira vez em 2013, para um pocket show no hotel Fasano, no Rio. Mas, como estão suas expectativas em retornar com esses novos concertos aqui? Você sabe que o Brasil carrega uma fama de ter fãs bem devotos e calorosos, não é?
Bom, é engraçado você ter mencionado eu ter ido anteriormente porque é por isso que eu estou animado para voltar agora, porque eu amei. Eu realmente amei! E o Rio de Janeiro é uma cidade incrível, então eu estou bem animado de voltar porque eu amo a atmosfera desse lugar.

Uma de suas músicas “Lullaby Love” está na trilha sonora de uma telenovela brasileira (Dona do Pedaço), você ficou sabendo?
Eu ouvi sim (risos), isso é muito legal. A primeira vez que eu ouvi isso obviamente fiquei animado porque era conectado com o Brasil e isso era algo muito divertido. Eu fui descobrindo mais sobre essa novela, e vi que ela é bem popular, então isso é fantástico.



Sim, muitos dos brasileiros que estão assistindo essa novela parecem também estar gostando da sua música na trilha. O próprio videoclipe da canção teve um grande aumento de visualizações no Youtube. Então, me parece que os brasileiros realmente estão curtindo suas músicas.
Pois é, foi uma grande surpresa para mim porque minha música é tão melo-poética e eu sempre achei que seria mais popular em lugares frios e montanhosos (risos). Mas é bem incrível mesmo, fico feliz que vocês estejam gostando.

Eu apenas escrevo o que eu estou sentindo e expresso isso da minha forma.

Você contou uma vez que adora Bob Dylan e que ele é a trilha sonora da sua infância. Hoje quem é o artista ou são artistas que te inspiram?
Então, interessante ou não na verdade, eu não olho para outros artistas como fontes de inspiração. Eu amo música, eu amo outros artistas. Sabe, Bob Dylan eu admiro pra caramba, acho que principalmente por causa das letras de suas músicas. Eu adoro compor letras para músicas, isso me encoraja para que eu me preocupe em escrever músicas bem, para ser algo bom. Eu apenas escrevo o que eu estou sentindo e expresso isso da minha forma. Então, não tem muitos artistas que eu escolheria e diria que eles realmente me inspiram a fazer algo dessa forma ou daquela forma, para ser bem sincero.

Sim, e você inclusive começou sua carreira musical escrevendo músicas e compondo arranjos aos 13 anos, então está sendo uma grande jornada não é mesmo?
Sim, bem longa. Isso inclusive está bem conectado com a última pergunta, porque para mim sempre foi meio que uma coisa natural. Era sempre sobre eu sendo apenas eu mesmo. Então eu acho que é isso que eu mais amo na música, ela te dá a chance de ser você mesmo. Eu só quero ser capaz de me expressar e escrever música que vem naturalmente para mim. E foi por isso que eu comecei quando eu era jovem, porque era algo meio catártico.

Eu estou tentando coisas novas, mas eu sinto que toda minha mudança de som tem sido um processo lento, e eu estou muito feliz com isso.

Como você acha que o seu método de composição, e som em geral, mudaram desde o início da sua carreira até hoje? 
Eu acho que tem sido bem gradual, porque para mim o aspecto mais importante da minha escrita é o propósito de cada música, então eu penso sobre as letras e a minha vida, e documento isso antes de eu pensar em mudar meu som ou algo assim. Então a verdadeira mudança de som ou gênero tem sido provavelmente bem lenta, até porque eu fiz 3 álbuns folks, mas cada disco teve novos elementos nele. O meu álbum mais recente, Quiet Man, tem muitas músicas diferentes nele, que mostram essa diferenciação no gênero. Elas não são apenas violão, algumas são meio que uma nota única de piano, usamos mais violinos, muito mais violoncelo. Agora eu estou tentando coisas novas, mas eu sinto que toda minha mudança de som tem sido um processo lento, e eu estou muito feliz com isso na verdade. Eu gosto de andar devagar e ficar: ok esse é o instrumento certo para ajudar a música a expressar isso.

Sim, parece mesmo que você leva tempo para realmente entender qual vai ser o seu próximo passo, você planeja isso e então vai bem seguro com o material que você quer mostrar no próximo álbum. Você parece mesmo cuidar bem dos seus projetos.
Sim, exatamente.

Você tem essa identidade do “banquinho e violão” em todos os seus shows, o que dá esse clima mais íntimo entre você e os fãs enquanto você canta. Você adotou essa característica visando uma melhor conexão com a sua audiência?
Hmm, na verdade não. Acho que esse foi só meu jeito natural de começar e acabou virando o modo o qual eu fiquei familiarizado para me comunicar com o meu público e que eles ficaram familiarizados em me ouvir. Então acabou ficando algo bem natural.

Na edição do videoclipe de “My Sweet Refuge” você agradeceu algumas pessoas que contribuíram com seus próprios vídeos. Esse videoclipe com estilo mais “caseiro” mostrou melhor a essência da música melhor do que um super produzido?
Sim, e a parte do clipe que na verdade veio de mim foi a de pedir para os meus fãs mandarem vídeos mostrando o que aquela música significava para eles, e eu gostei muito de montar ele, muito mesmo. Eu meio que queria explorar essa ideia de todos eles estarem comigo nisso. Foi bem interativo, não apenas para os fãs, mas para mim também, porque aí eu pude de fato ver quem escuta a minha música, suas vidas e os diferentes espaços onde eles vivem. Foi muito incrível os ver mostrando: meu refúgio é esse! Eu amei isso, foi muito divertido. 


Já no clipe de ‘Warrior’ você juntou forças com a International Justice Mission para conscientizar sobre o tráfico humano. Como surgiu a ideia de passar essa importante mensagem na letra e no vídeo para a faixa?
Bom foi uma ideia bem orgânica e colaborativa porque eu já tinha começado a escrever aquela música, mas era mais como uma conversa comigo mesmo, porque muitas das minhas coisas vêm da minha própria jornada de vida e das coisas que eu estou sentindo o pensando. Mas eu já conhecia a IJM há alguns anos, porque eu apoiei eles quando eu tinha 20 e poucos anos, e eu acho o trabalho deles incrível. Eu queria achar uma forma de ajudar sabe, mesmo que fosse com algo pequeno, logo pensei em dar uma música a eles. E quando eu descobri que eles gostaram da ideia, eu então me encontrei como diretor chamado Christian Kinde, um amigo de Londres, para ele dirigir o vídeoclipe. Eu então fui ao estúdio para gravar e tinha apenas metade da letra pronta, essa foi até hoje a única música que eu gravei sem ter terminado a letra, o que é bem engraçado (risos). Eu comecei a escrever o resto da letra enquanto eu estava gravando, então foi uma maneira muito boa de fazer ela especificamente para aquele projeto.


O mundo está ficando cada vez mais e mais ocupado, e eu acho que as pessoas vêm ficando cada vez menos pacíficas (...)

Qual foi a mensagem principal ou mais importante que você queria enviar para os fãs com seu último álbum, Quiet Man?
Para o mim o mundo está ficando cada vez mais e mais ocupado, e eu acho que as pessoas vêm ficando cada vez menos pacíficas. O processo de escrever o Quiet Man foi definitivamente uma prioridade para mim, eu priorizei paz e silêncio. Eu saí da cidade de Londres, me mudei de volta para o interior e apenas fiquei refletindo sobre as coisas simples da vida que estão aí e que nós frequentemente não prestamos atenção. Me foquei nelas. Eu tive um ano incrível, só de descanso e paz, e eu penso que esse é o coração do álbum. Por isso que eu chamei de Quiet Man, por causa dessa paz que eu estava sentido. 

Você acha que em tempos difíceis, a música pode curar? 
Sim, definitivamente! Eu acho que essa é grande verdade sobre elas. Porque as minhas preocupações são quando a música vira apenas um produto, mas se você desafiar seus pensamentos  a fazer algo bonito ao invés de fazer algo apenas para vender, é aí que você começa a ver o que a música realmente pode fazer com as pessoas. Além do mais, eu também sou um ouvinte de música, e eu vejo a calma que ela pode trazer para as pessoas por alguns momentos, ou até mesmo, ajudar com o estresse.

Quero experimentar coisas novas primeiro.

Você fez algo muito legal com o Quiet Man, mas pensando no futuro próximo, como você descreveria seu próximo trabalho?
O que eu estou fazendo no momento é escrevendo uma música de cada vez e aproveitando isso. Estou tentando novas ideias e indo atrás de alguns pensamentos que eu tive anteriormente no Quiet Man em músicas como Message To Myself, Sketches Of Summer e My Sweet Refugie onde eu usei diferentes instrumentos. Eu descobri naquele ponto o baixo e o saxofone, os quais eu amei os tons e isso me fez ficar pensando em diferentes tipos de som. Então eu estou experimentando com as coisas que eu descobri lá e desenvolvendo isso. 
E eu não estou em um lugar agora onde eu quero me empenhar em outro projeto de álbum. Então eu só estou aproveitando criar novas músicas, que eu vou lançar uma de cada vez, eu inclusive tenho algumas que eu vou gravar na semana que vem, o que vai ser bem divertido. Mas eu não acho que será um álbum, eu acho que vai ser divertido lançar elas agora como elas são. Vai ter uma hora aonde eu vou ficar meio: agora eu vou fazer uma seleção do que eu produzi e vou ter uma visão bem coesa do que eu quero que meu próximo álbum seja. Mas eu não fico preso a isso agora, quero experimentar coisas novas primeiro.

Se você, assim como nós, mal pode esperar pelos shows de Roo Panes em solo brasileiro daqui a algumas semanas, fique ligado e adquira seus ingressos para os shows no site.

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1 Comentários

  1. Meu Deus, eu adoro essa música dele! Sempre canto junto quando toca na novela!

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