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Por dentro de Doom Days o novo álbum do Bastille





Por: Tati Teixeira

O Bastille lançou seu aguardado terceiro álbum, Doom Days. O disco veio na sequência de Wild Wolrd, lançado em 2016. E mostra que, impressionantemente, a banda conseguiu evoluir ainda mais.

Evidente que como todos os outros discos do Bastille, Doom Days, também teria seu lado escuro, um disco que traz uma maneira apocalíptica de ver o mundo e o amanhã, um disco que narra a noite de alguém cheio de pensamentos caóticos, confusos e sufocantes, ou apenas submersos nos dias atuais.

Sem dúvidas Doom Days é, assim como disse Dan Smith, uma narrativa apocalíptica da noite de alguém que tenta evitar o amanhã.

A genialidade de Doom Days já começou a ser mostrada durante os lançamentos dos singles, a primeira música a ser divulgada foi 00:15, o começo de uma noite conturbada. Na sequência eles lançam Doom Days que é exatamente a metade da noite e também do álbum, quando tudo já está sufocante e pesado, submersos no meio de um mundo cheio de desespero e ansiedade.E aí lançam Joy, pra mostrar antes mesmo de seu lançamento que essa história tem começo meio e fim. 


Em uma viagem de minutos o ouvinte pode acompanhar a narrativa que começa em uma volta pela cidade no banco de trás, observando o mundo e ao mesmo tempo o ignorando, ainda que sabendo todos seus problemas, em A Quarter Past Midnight, e segue para pensamentos mais pessoais em Bad Decisions que já se apoderam de cunho mais político, devido ao momento de Brexit que a Ingleterra vive desde 2017, e a ainda tentativa de escapismo junto com o peso de todas decisões erradas das pessoas que o cercam e colocaram o mundo no lugar que está.


Em The Waves chega mais uma mostra de algumas informações de tudo que vem se passando na cabeça daquele personagem em meio a uma noite de festa apocalíptica.Aquela noite está acontecendo e ele está observando dentro de uma mente barulhenta.

Divide mostra  a vontade de se manter recluso e continuar no caminho mais fácil, continuar ignorando, " abaixar as janelas", ficar ali naquela festa onde tudo é superficial, saber que tudo está acontecendo, mas também saber que não será atingido enquanto estiver junto com alguém para ignorar tudo aquilo: "Nesses dias mais escuros, vou até o limite pelo o amor que você me oferece. Há um tumulto na minha cabeça, exigindo que façamos isso para sempre", diz a letra. A canção que é só voz e piano traz simplicidade para esse ponto focal do álbum, a letra surge como uma quase súplica para que possamos nos unir e deixar de lado essa distância que nós seres humanos criamos, nossas superficialidades, tudo vai ser mais fácil se não nos dividirmos, ninguém quer estar sozinho nesse caos.


Depois da calma de Divide, quebrando o ritmo lento cega Million  Pieces, que lembra muito a pegada das músicas de eletro dance dos anos 90, quem lembra? Algumas que por sinal o Bastille já demonstrou gostar bastante fazendo versões para elas, ainda não tínhamos nada da banda referente a esse ritmo que não fossem releituras, Million Pieces  soa como uma inovação para o quarteto britânico. A letra é a forte tentativa de evitar o assunto " mundo", "política", e notar que tudo insiste em te lembrar do que você mais deseja esquecer . Para quem não tinha entendido até aqui a situação de escapismo da narrativa, Million Pieces também serve como um grito de " eu não quero saber disso, parem de falar disso" .


Doom Days chega silenciosa e com um resumo de todas as agonias do álbum, não atoa essa foi a última canção a ser adicionada e composta, também não atoa ela leva o nome do terceiro trabalho do Bastille, tem tanta informação em apenas 2 minutos de música, é tudo tão rápido, frenético e jogado na nossa cara, é tão fácil de entender toda essa ansiedade moderna que até assusta quando percebemos que podemos sentir cada palavra, um soco no estomago e ao mesmo tempo um alívio por sabermos que não somos os únicos que sentimos essa sensação de caos. Escapismo sim, mas sabendo de cada pedaço do que estamos escapando.

Depois dessa surra Bastille mostra Nocturnal Creatures, essa sim a primeira composição com beats dos anos 90 produzida pela banda, Million Piecies foi apresentada primeiro no álbum, mas o primeiro passo deles nesse estilo foi Nocturnal Creatures, a letra mostra a inocência que é se sentir indestrutível nas noites de escapismo da vida. A tentativa falha de superar o amanhã.


4AM é o momento em que o escapismo chega ao auge, legal é sentir as batidas da música se lembrando que esse é o momento da festa que temos aquela sensação passageira de que tudo está no seu lugar e perfeito, como se aquele momento pudesse durar para sempre, ingênuo e feliz. Seguro e confortável, não há outro lugar que você preferiria estar, todo mundo já sentiu isso antes. A sonoridade da música é perfeita e torna a experiência sensitiva.

Another Place é leve, é delicada e carinhosa, no meio do caos o encontro de duas almas mesmo que passageiro é aquele sentimento de esperança que nos move e anima, ela soa como um sussurro de intimidade em meio a um mar de superficialidade, ela é o tom de doçura que ecoa no caos. E sim, Bastille fez questão de colocar isso na sonoridade também, é clara a leveza da canção e suas batidas, inclusive super gostosa de cantar.



Those nights é a música preferida de Dan Smith, isso porque ela é realmente boa, mas além disso é também uma faixa altamente sensorial e composta de vários sons que fazem parecer que você estava naquela noite , naquela sala, jogado entre seus pensamentos e que está acordando agora meio tonto, com tudo meio confuso, se sentindo sozinho, meio perturbado, com alguns arrependimentos e o pior, que a hora de encarar o amanhecer chegou.









Com esse sentimento de desespero encontramos o personagem perdido acordando no chão da cozinha imerso no caos, porém vem Joy a última faixa do disco, um tiro de esperança, ela traz em sua melodia e letra essa sensação de sair de todo aquele sufoco, de ver a redenção em algo simples, como a ligação de uma pessoa especial, é como se o contato humano fosse no final das contas o que de fato precisamos para sair do tumulto, como se as relações pudessem aliviar o peso de tudo, Dan Smith disse que seria fácil acabar tudo em pessimismo, então com Joy ele mostra um pouco de otimismo.


Um álbum que mostra a evolução do Bastille, um trabalho que traduz muito bem os tempos atuais,  política, ansiedades, mídia e a rotina, que coloca na cara do ouvinte a mensagem por mais pesada que ela seja, um disco fácil de se identificar, com certeza dará mais um impulso para que sejam vistos como uma das maiores bandas da atualidade, para o indieoclock já é um dos melhores discos do ano. Vale a pena ouvir, sentir e pensar sobre Doom Days.



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