OTR trás um novo mundo em seu primeiro álbum 'Lost At Midnight'

Ryan Chadwick, produtor natural de Atlanta talvez nunca pensasse em uma carreira no cenário da música eletrônica. Com apenas 25 anos, seu lugar já estava garantido ao se formar como Engenheiro Aeroespacial. Curiosamente, espacial é uma ótima maneira de descrever sua música no seu novo projeto. 

Imagem: OTR tem origem em Over-The-Rhine, um bairro de Cincinatti - Ohio lugar onde começou a compor..

Desde de 2017, Chadwick (mais conhecido como OTR) já lançava uma série de singles e um EP, batizado 'Unfold', e já preparava terreno para lançar seu álbum de estréia, bem no meio de 2020.

Com influências claras ao electro-pop de 'A Moment Apart' do ODESZA e a nostalgia da indietronica de Jai Wolf, 'Lost At Midnight' oferece uma jornada introspectiva - mesmo assim, explosiva - inspirada por uma viagem ao Japão, quando Chadwick, apaixonado pelas paisagens, decidiu transcrever tudo na forma de música.

O que temos então é um álbum de doze faixas que evocam esse sentimento, começando por 'Lost / Intro', que nos dá uma pista de onde estamos caminhando por aqui. Apenas um arpeggio de duas teclas no piano guiam a música, enquanto Chadwick pergunta constantemente se é possível voltar para casa. Logo, somos tomados por um mar de sintetizadores que parecem guiar-nos de volta para o lar, como se já soubéssemos o caminho esse tempo todo. Ao decorrer seguimos essa mesma jornada com a suave voz do cantor do grupo Panama na - minha favorita do disco - 'Drive', que possui um drop tão fabuloso e suave quanto os seus vocais bem produzidos. Há outras colaborações fenomenais aqui como 'Heart' com Shallou, 'Midnight Sun' com Ukiyo e 'Broken' com a cantora Au/Ra.

O álbum perde um pouco de ritmo ao chegar em 'Night', oitava faixa do álbum, dando uma espécie de respiro, possuindo a mesma mágica da atmosfera nostálgica das outras sete faixas anteriores. Mas ainda assim, não tão interessante. Assim como a sua finalização, 'The End' com Saint Sinner cantando sobre se sentir incapacitado, mas que tudo faz parte dos altos e baixos da vida, e que voltaremos para casa seguros, no final. Por mais que uma linda mensagem, sua melodia não sustenta a força das outras anteriores, como se houvesse algo a mais depois do fim do álbum.

Imagem: Cover the 'Lost At Midnight' | UMG Recordings


Mesmo assim, há uma verdade dita em cada sintetizador, suave ou poderoso, em casa batida e em cada voz, tornando o álbum um verdadeiro sonho. Um abraço enquanto mergulhamos nas nossas incertezas (bem lúdico, né?). 

São as verdades que OTR quis trazer para o seu primeiro álbum. Memórias e sentimentos muito bem expressados, tanto pelo ritmo, quanto pelas letras. Ambos muito bem guiados a ideia do projeto, que se mantém sólido e impressionante, principalmente para uma estréia.

É gratificante ver que, em um cenário como a EDM (música eletrônica), onde o padrão são batidas eletrizantes e pouca sentimento real, estarmos vendo o surgimento de tantos artistas que apertam o freio e resolvem trazer músicas, não apenas para dançar na pista de dança, mas para aquecer os fones de ouvido e entregar algo sólido e verdadeiro.

Em seu debut, OTR se joga no meio da noite em suas inseguranças com muita cor, sentimento e otimismo, entregando o respiro que o cenário eletrônico precisava.

'Lost At Midnight' lançou em 24 de abril do ano passado e está disponível em todas as plataformas.


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