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Participação em novela, parceria com Alok e engajamento social - confira nossa entrevista com Gavin James!

Gavin James | Foto: Ryan Jafarzadeh

Um irlandês que já é praticamente brasileiro, este é Gavin Wigglesworth, mais conhecido profissionalmente como Gavin James. O cantor e compositor esteve no Brasil pela quarta vez, no último sábado (04), quando se apresentou no Cine Joia, em São Paulo.


Talvez você até não conheça o Gavin, mas pelo menos uma de suas músicas já escutou. É que três de seus singles já fizeram parte da trilha sonora de novelas brasileiras. A mais recente delas foi a canção "Always", tema do casal principal da novela "Espelho da Vida", da Rede Globo.


Gavin cresceu rodeado por música: seus bisavós eram cantores de ópera, seu avô comediante e assobiador (aparecendo, inclusive, várias vezes na TV) e seu pai, mesmo não sendo músico, tocava muitas canções de Cat StevensSam CookeBob Dylan Van Halen pela casa; ou seja, o jovem Gavin parecia estar mesmo destinado a um caminho musical.

Aos 13 anos, seu interesse pela música se intensificou e ele começou a tocar guitarra. Na época, era muito fã do Led Zeppelin, o que fez com que formasse, junto com três amigos, uma banda de rock que fazia shows em parques de skate, e, cujo principal repertório, você já deve imaginar, eram covers de uma certa banda…

A partir dos 14 anos, James já escrevia suas próprias músicas. Pouco tempo depois, ele decidiu seguir carreira solo e, ainda na escola, começou a fazer seus primeiros shows remunerados em pubs.


Daí em diante, a carreira de Gavin foi decolando. Ele já abriu shows para Ed Sheeran e atualmente, acabou de concluir mais uma turnê mundial própria como headliner. Em 2016, ele ganhou o prêmio “Música Irlandesa do Ano” pela Choice Music Prize.


Pouco antes de sua chegada ao Brasil, nós batemos um papo super divertido com o cantor e rolou de tudo um pouco: ele falou sobre sua participação em novelas brasileiras, contou detalhes sobre o novo álbum, como foi colaboração com o DJ Alok, seu engajamento em causas sociais, um presente pra lá de estranho que ele ganhou de um fã e muito mais!

Prepare-se para altas risadas, fortes emoções, e confira a entrevista na íntegra:

Oi Gavin, tudo bem com você?
Gavin: Tudo ótimo, obrigado! E com você?

Tudo ótimo também! Eu estou muito empolgada por conversar com você hoje. Podemos começar?
Gavin: Sim sim, claro!

Então, o seu single “Always” foi recentemente a música-tema do casal principal de uma novela brasileira. Além disso, “Nervous” e “Watch It All Fade” também já fizeram parte da trilha sonora de novelas brasileiras. Como você se sente sobre isso?
Gavin: É maravilhoso! É uma maneira incrível de trazer minha música a pessoas que nunca escutaram antes, tipo, eu sou da Irlanda e cresci na Irlanda. Eu nunca pensei que aprendendo a tocar um instrumento, e tocando apenas eu e meu violão, minhas músicas chegariam até o Brasil! Então isso é ótimo. Eu tive também a oportunidade de participar de algumas novelas e fingir que sabia atuar. 
A mais recente foi em uma que tive que cantar “Always”, eu fiz uma cena de 3 minutos, era uma conversa improvisada, e eles não puderam colocar no ar porque acharam que meu sotaque irlandês iria atrapalhar. Ninguém no Brasil conseguiria entender uma palavra do que eu estava falando, mas foi divertido, foi ótimo.

Isso é incrível! E você imaginava que seria praticamente ator também, um dia?
Gavin: Não! Eu fiquei chocado! Eu acho que seria um ator muito ruim. Mas foram bem divertidas [as participações]. Na maior parte do tempo, eu só tentei manter uma “cara séria”, mas o meu sotaque atrapalhou um pouco, principalmente quando eu tinha que falar português, tipo “tudo bem”, e eu falava “tudu beeeeim”. Entende?

Eu entendo! Mas acho você foi muito bem, eu assisti uma de suas participações e achei que você foi ótimo! Você poderia pensar seriamente em uma carreira na indústria cinematográfica.
Gavin: Obrigado, eu não sei... Ouvi dizer que eles estão em falta de atores ruivos, então acho que eu toparia [risos].

E você imaginava que suas músicas seriam conhecidas no mundo inteiro?
Gavin: Não, sabe, eu sempre escrevi minhas músicas em casa, na Irlanda, é um lugar pequeno, e o fato de que elas chegaram em tantos lugares… A coisa mais legal nisso tudo é que eu posso viajar para vários lugares em turnê, estarei finalizando minha turnê mundial no Brasil semana que vem, então é maravilhoso! Isso é o que eu mais gosto de fazer: estar em turnê, fazer shows, e esse tipo de coisa. É incrível que minha música tenha tocado tantas pessoas.

Qual foi a inspiração por trás de “Always”? Como foi o processo de composição dela?
Gavin: Foi muito… É uma música muito fácil de tocar no piano, porque eu sou terrível no piano, sou mais de tocar violão e guitarra. Eu a compus com basicamente 4 acordes. Não sendo bom no piano, 4 acordes é perfeito. Mas eu tentei fazê-la o mais interessante que pude, ao mesmo tempo que com a abordagem mais simples possível no piano. 
Ela é sobre perda, tentar reconquistar alguém e falhar miseravelmente, basicamente isso. Mas ela pode ser interpretada de tantas formas diferentes, sabe? No geral, aquele sentimento que todo mundo passa.

Isso tem relação com a minha próxima pergunta, na verdade. Quando você faz uma música nova, o que te faz gostar dela? O que te faz pensar “ah essa música poderia ser lançada, poderia ser um single”?
Gavin: Ah, eu não sei! Eu sou péssimo em escolher “singles”, mas eu sempre sei do que eu gosto com relação às minhas músicas. Eu geralmente tenho um bom “feeling”, principalmente se a letra e a melodia da música surgem logo. Porque se surgem rápido, pelo menos para mim, significa que são as melhores [músicas]. Porque eu não precisei pensar exageradamente nela, se é boa ou ruim, eu só fiz e lancei. “Always” mesmo, eu não passei semanas fazendo, em algumas horas estava pronta. Então eu acho que quanto mais rápido acontece pra mim, melhor a música geralmente é. É assim que escolho os "singles".

E como você mencionou, você está voltando ao Brasil agora em maio, mal podemos esperar!
Gavin: Sim, eu também estou muito ansioso, vai ser divertido.

E é a sua quarta vez por aqui, como você está se sentindo?
Gavin: Empolgado! Eu adoro o Brasil, mal posso esperar! Até porque está terrível agora na Irlanda [o tempo], está chovendo, muito frio, então eu mal posso esperar para chegar no Brasil e me aquecer um pouco por aí, porque eu tenho certeza que está mais quente.

Ah com certeza! Traga seus melhores shorts porque está muito calor aqui.
Gavin: [Risos] Sim! Vou comprar uns por aí porque não tenho muitos.

E como é a sua relação com os fãs brasileiros?
Gavin: Todo mundo é muito receptivo e legal, me lembra a Irlanda. Até os músicos, sabe, eu conheci alguns músicos brasileiros e eles são muito receptivos e amigáveis. Ninguém tem o ego inflado e ego inflado não é algo legal de se ter no Brasil. Nós somos da mesma forma na Irlanda, se você tem um ego muito grande, todos pensam imediatamente que você é um c*zão. [Risos]. E isso é algo muito similar ao Brasil. Até com os músicos é muito fácil de se relacionar.

Eu tenho uma amiga que teve a oportunidade de te conhecer na sua última passagem por aqui e ela disse que dentre os ídolos dela, você é o mais legal que ela já conheceu.
Gavin: Poxa isso é muito legal, obrigado.

Falando em músico brasileiros, recentemente você colaborou com o DJ brasileiro Alok, na música “Innocent”, certo?
Gavin: Sim sim, o Alok é incrível!

Como foi essa experiência? Como surgiu esse convite?
Gavin: Bem, ele me mandou uma música em que estava trabalhando e eu pensei “nossa, essa música é irada!”. Eu queria ter uma estória melhor para te contar sobre isso, nós nem estivemos juntos no estúdio, eu não cheguei a conhecê-lo pessoalmente [risos]. Combinamos tudo por e-mails, mas pelo pouco que pude perceber pelo telefone ele é muito gentil. [Risos].

Mas ainda há tempo! Vocês ainda podem se conhecer em pessoa algum dia…
Gavin: Sim, sem dúvidas! Quando ele estiver aqui na Irlanda ou eu for ao Brasil, vamos acabar nos esbarrando alguma hora. Foi engraçado porque estávamos no telefone e ele falava “o que você acha disso?” e eu “ah, isso é ótimo, e se tentássemos aquilo também”, nós colaboramos por telefone ao invés de pessoalmente. Mas foi ótimo, eu adoro a música.

Sim, a música ficou incrível!
Gavin: Foi o melhor que conseguimos fazer. Mas ele é ótimo, ele é super popular no Brasil, não? Ele arrasa, já ouvi músicas dele em vários lugares.

Sim! Muita gente adora o trabalho nele. Mas sobre as suas músicas, elas geralmente tem uma vibe pop que nunca deixa totalmente de lado suas raízes acústicas, o que cria um som muito interessante. Como você alcança isso?
Gavin: Bem, eu gosto muito de música pop e de brincar com a melodia. A minha voz é meio inclinada pro lado pop, mas eu cresci em Dublin, toquei muito em pubs. Quando terminei a escola, eu tinha 17 anos e fiz muitos shows em bares. Principalmente em um local chamado The Temple Bar, onde eu tocava 7 noites por semana, por 4 ou 5 anos, tocando sets de 3 horas com músicas de outras pessoas e músicas irlandesas; então eu aprendi a tocar, cantar e performar, fazendo isso por muito tempo. 
Depois saí disso, e tentei fazer um nome pra mim na música, na Irlanda e na Europa, e as coisas começaram a dar certo [na carreira]. Mas eu acho que minhas raízes acústicas vieram disso, eu fiz um milhão de shows, então acho que é de lá que veio. Mas todo o pop, eu amo o som e tento incorporar da melhor forma possível.

E uma parceria dos seus sonhos? Vivo ou não?
Gavin: Uh… Vivo geralmente é melhor porque seria mais fácil para trabalharmos juntos [risos].

Sem dúvidas! É mais “provável” de acontecer!
Gavin: [Risos] Exatamente, é tipo você me perguntar “com quem você gostaria de jantar, vivo ou não?”, eu com certeza diria vivo, porque com certeza a pessoa vai aparecer. [Risos]. Mas eu não sei… A colaboração dos sonhos, ah deixa eu pensar… Billie Eilish. Billie Eilish é incrível, o álbum dela é maravilhoso, então provavelmente ela e seu irmão Finneas seria a colaboração dos sonhos.

Poxa, ela é maravilhosa mesmo!
Gavin: Ou então eu escolheria Kacey Musgraves, ela é uma cantora e compositora country. Ou Bruce Springsteen, sim Bruce Springsteen seria "O" sonho, sem dúvidas.

Poderiam ser todos eles, juntos, em uma música, talvez?
Gavin: Sim, todos nós em uma mesa, fazendo música e comendo frango, seria ótimo.

E como foi o processo de criação do seu álbum mais recente, Only Ticket Home (2018)?
Gavin: Foi muito divertido! Eu e meu amigo, Ollie Green, o produzimos. Passamos os dois meses seguintes indo e voltando de Dublin para Londres, gravando tudo juntos. Foi tudo muito relaxado, não houve estresse, tivemos bastante tempo livre, meu primeiro em anos, e nós revisamos tudo juntos até o natal do ano retrasado. 
Entre janeiro/fevereiro [o álbum] já estava pronto, foi muito rápido. Porque o meu primeiro disco demorou tanto pra gravar... Esse foi bem mais rápido, eu tinha mais experiência no estúdio e tal.

Agora, conta pra gente a coisa mais engraçada que já te aconteceu em turnê?
Gavin: Eu acho que… essa turnê de agora tem sido muito tranquila, porque não tenho bebido nada alcóolico, estamos fazendo uma turnê “seca”, eu tenho sido um bom menino [risos]. Eu tenho sido tão bonzinho! O que eu tenho feito é jogar Nintendo Switch, Mario Kart, por 3 meses.
Mas a coisa mais estranha, foi que alguém me deu um travesseiro com a minha cara estampada nele e na minha cara tinham vários pombos! É estranho pra caramba. Eu não consigo dormir com ele porque me dá pesadelos, foi a coisa mais esquisita que eu já ganhei na vida.

Indo agora pra um assunto um pouco mais sério, eu vi que você é um ávido apoiador do The Down Syndrome Centre, na Irlanda, o que é incrível! Como começou o seu envolvimento com eles?
Gavin: Sim. Foi ótimo, eles são maravilhosos. Eu fiz vários projetos com eles, meu sobrinho tem síndrome de down, então isso meio que me abriu portas para esse mundo. Ele fez 7 anos esses dias, ele vem à todos os meus shows e gosta de tocar guitarra; ele não me deixa parar de tocar guitarra, é muito engraçado.
Eu entrei em contato com eles para fazer um show em Dublin. Tento fazer um show lá todo ano, e aí reunimos todos os meninos e meninas do Syndrome Centre para subirem no palco comigo. Quando a música começa, eles sobem, e nós fazemos uma farra!
É maravilhoso trabalhar com eles, porque eles são as melhores pessoas do mundo. Eu quero fazer de tudo para espalhar a conscientização e me certificar de que eles tenham as melhores oportunidades possíveis sendo apresentadas à eles. É ótimo fazer parte disso, é algo muito importante pra mim.

E você considera importante artistas como você, fazerem bom uso de suas plataformas públicas para aumentar a conscientização e apoiar uma causa em que eles acreditam?
Gavin: 100%. É a razão de tudo isso. É sempre a segunda coisa a se pensar. Quando comecei a fazer música, eu pensava “mal posso esperar para fazer shows grandes e fazer uma festa com as pessoas, nos divertirmos bastante”. Então, se isso for tudo o que acontecer, pelo menos você colaborou com a sociedade de alguma forma.
Se você tiver qualquer tipo de plataforma, você deve usar a sua voz para espalhar uma mensagem positiva: de qualquer forma, com qualquer coisa que faça você se sentir bem e que você ache importante, é algo muito bonito de se fazer. Abriu um novo mundo para mim aqui na Irlanda, e eu quero trabalhar o máximo que puder com isso.

Sim, o mundo, com certeza, precisa de mais empatia, não é?
Gavin: Com certeza, especialmente agora! As pessoas podem ser muito focadas em suas próprias coisas. Então, quanto mais tempo passado com outras pessoas, certificando-se de que elas estão bem, melhor você também estará no fim das contas.

Eu concordo plenamente, e isso me traz à minha última pergunta: Você tem algum sonho que ainda não se realizou? E, se sim, qual?
Gavin: Ahm… eu quero ser o chimpanzé em “O Livro da Selva”(”Mogli”).

Bem, a carreira de ator você já começou, então…
Gavin: [Risos]. Eu juro por Deus, eu iria ferrar tudo, com certeza.

Muito obrigada por conversar com a gente hoje Gavin, foi muito divertido e um prazer. 

Gavin: Sem problemas, foi muito divertido!

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Pauta e entrevista: Andressa Gonçalves

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