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Johnny Hooker encerra série de shows esgotados em SP

A curtíssima temporada do show Maldito! de Johnny Hooker na Caixa Cultural São Paulo se encerrou nesse domingo (25) com o teatro lotado de fãs. Foram três datas gratuitas com distribuição de senhas a partir das 9h do dia de cada apresentação, e como é de costume, a capital paulista esgotou os ingressos em menos de 10 minutos em todas as apresentações: As filas começavam antes mesmo das 5h da manhã.

Embarcando em uma viagem por suas influências musicais e vivências pessoais no ambiente intimista do teatro da Caixa Cultural, o show é um prazeroso passeio pela vida do pernambucano, que entrou no palco com Volta, do primeiro disco dele, num novo arranjo musical.
Depois, o cantor falou disco do disco Cê de Caetano Veloso, sua maior influência nacional, e comentou como foi marcado pela "raiva e sonoridade crua" desse álbum, trazendo um cover de Rocks.
Relembrando a infância em Recife, Johnny contou que ia com a mãe pra universidade quando era criança. No carro tinha uma fita cassete com uma coletânea do The Smiths que o marcou muito. Antes do cover de There Is A Light That Never Goes Out. "É sempre fundamental lembrar que tem uma luz que nunca se apaga", comentou diante da realidade política do país.

O cantor aproveitava todos os intervalos entre as canções para contar a sua relação pessoal com os covers selecionados para integrar o show e mostrar sua construção artística ao longo dos anos. E, explicando também o nome do projeto, ele citou Sergio Sampaio como "um dos maiores malditos da música brasileira", que foi inspiração pra a letra da música Chega de Lágrimas de Hooker. A música escolhida para homenagear esse ídolo tem uma mensagem clara e urgente: "Toda vez tentarem nos silenciar, a gente vai pra rua".
Voltando para seu repertório, a faixa-título de seu primeiro álbum não poderia ser deixada de fora. "Escrevi sobre uma separação que não foi minha. (...) Depois percebi que essa musica me define", comentou antes de eletrizar o público com Eu Vou Fazer Uma Macumba Pra Te Amarrar, Maldito!

Passeando um pouco mais por sua infância e adolescência, Johnny comentou que a música de Caetano Veloso foi uma ponte de conexão com seu pai, que gostava muito de artistas nacionais. Ele cita o álbum Transa como "de fundação" em sua jornada de descoberta na música brasileira. Desse disco, ele escolheu aquela que considera "uma das músicas mais lindas de desamor na música brasileira": Mora Na Filosofia.
Um dos pontos altos do show foi a performance de Amor Marginal, que ele anunciou acertadamente como "Um clássico". A faixa é um dos maiores sucessos do primeiro disco de Johnny, que foi tema de novela na Globo em 2015. Após alguns minutos de aplausos ininterruptos, o cantor cantou Vapor Barato de Gal Costa.

Ele também falou sobre a depressão que enfrentou no processo criativo entre o fim da turnê Macumba e a criação do seu segundo álbum, Coração. "No dia em que achei que tava no fundo do poço, que eu nunca tinha me sentido tão mal na minha vida e não poderia ficar pior...  Onde eu realmente desejei não viver mais, ouvi no fundo da minha cabeça a voz da minha avó, que sempre me dizia: 'Firme e forte feito um touro'." Foi essa a inspiração para Touro, faixa de abertura desse segundo trabalho. A música é forte e marcada, e mudou a energia do show, sendo seguida por Caetano Veloso, faixa que Johnny fez em homenagem ao ídolo. A plateia foi convidada a dançar e todos se levantaram no teatro, e assim permaneceram durante a faixa seguinte: Alma Sebosa.
Outro grande ídolo foi homenageado pelo cantor, que também incluiu uma faixa em homenagem ao astro no álbum Coração. Porém, ao invés de cantar Poeira de Estrelas, Johnny sabiamente escolheu Heroes de David Bowie, fazendo uma emocionante homenagem. "O amor pode derrubar todos os muros", disse.

Para finalizar a noite, ele cantou seu último single, Flutua, que resume bem a mensagem que o artista buscou passar. É um show político, mas também sobre família e sobre a força do amor - pela arte, pela vida, pela possibilidade de existir diante de tempos cada vez mais sombrios. Ninguém vai poder querer nos dizer como amar.


Foi uma grande oportunidade para conhecer o trabalho e trajetória de Johnny Hooker com maior profundidade, que se abriu para os fãs da melhor maneira: No palco, transbordando emoção e verdade. Além da organização impecável por parte da Caixa Cultural, o local do evento criou a atmosfera perfeita para a proposta de Maldito!. Foi uma verdadeira exposição de arte atemporal, ao vivo, num museu no coração da cidade que abraçou Johnny Hooker. Como bem disse uma fã durante o show: "Vida longa!"

Setlist
  1. Volta
  2. Rocks (Cover de Caetano Veloso)
  3. There Is a Light That Never Goes Out (Cover de The Smiths)
  4. Take a Walk on the Bright Side (cover de Lou Reed)/Não me Arrependo (cover de Caetano Veloso)
  5. Eu quero é botar meu bloco na rua (cover de Sérgio Sampaio)

  6. Eu Vou Fazer uma Macumba pra te Amarrar, Maldito!
  7. Mora na Filosofia (cover de Caetano Veloso)
  8. Amor Marginal
  9. Vapor Barato (cover de Gal Costa)
  10. Touro 
  11. Caetano Veloso
  12. Heroes (cover de David Bowie)
  13. Flutua 
  14. Alma Sebosa

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