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Boogarins fala sobre documentário da banda, álbum novo, e gringos (tentando) cantar em português!

Boogarins | Foto: Distribuição

Seguindo o lançamento dos singles “Tardançae “Invenção, a banda Boogarins lançou recentemente seu quarto álbum de estúdio, o Sombrou Dúvida.

O grupo de indie rock psicodélico foi formado em Goiânia, por Benke Ferraz Dinho Almeida, amigos de infância. Em 2013, eles lançaram seu primeiro EP, “As Plantas Que Curam”, gravado em casa, de forma independente.

O material tinha tanto potencial que chamou a atenção da gravadora americana Other Music, que assinou com a banda para o lançamento de seu primeiro álbum, também intitulado “As Plantas Que Curam”.

Nessa época, uniram-se ao duo os músicos Raphael Vaz (baixo) e Hans Castro (bateria). Com elogios da crítica no exterior e uma audiência internacional crescente, em 2014, a banda começou a fazer turnês também no exterior, com shows pela Europa, Estados Unidos e na América Latina.

Em 2015, a banda gravou na Espanha seu segundo disco, “Manual, ou Guia Livre de Dissolução dos Sonhos, que foi indicado ao Grammy Latino de Melhor Álbum de Rock em Língua Portuguesa em 2016.

Na semana passada, o guitarrista do grupo, Benke, bateu um papo com o Indieoclock e falou sobre o “Sombrou Dúvida, as diferenças entre o público brasileiro e o internacional, principais influências do grupo e muito mais. Confira:

Como surgiu o nome “Boogarins”?
Benke: O nome surgiu depois que havíamos gravado algumas músicas, estávamos prestes a fazer shows, e precisávamos escolher um nome. Eu que sugeri. Ele veio de um livro, que mostrava que a flor Bogarin significava “Amor vivo e puro que existe dentro de uma pessoa”. Nós queríamos um nome diferente, mas que tivesse um “O” na frente, tipo “Os Paralamas do Sucesso” e “Os Beatles”. No início usamos Os Bogarins, mas depois, pra ficar diferente, achamos que era melhor tirar o “OS” e acrescentar um “O” na grafia do nome. Depois de uma pesquisa no Google, vimos que ninguém tinha esse nome, então se tornou algo único nosso.

Isso é legal, porque quando vemos o nome “Boogarins” já associamos imediatamente a vocês.
Benke: Sim! Exatamente, a ideia era essa [risos].

E quando vocês criam uma nova música, qual geralmente é o maior desafio?
Benke: Na verdade, eu diria que é achar o “ponto final”, saber quando a música está mesmo pronta. Porque nosso processo de composição, de produção da música, é bem orgânico. Vamos tocando por horas e reunindo ideias juntos, então não tem uma parte que seja “desafiadora”. O problema é saber a hora que a faixa está concluída, porque ás vezes é tentador adicionar mais layers ou elementos na música.

Com quais artistas vocês gostariam de fazer parceria em um futuro próximo? 
Benke: Como te contei, nosso processo de montagem das músicas é bem orgânico, então não temos um artista em específico no momento. Acho que seria mais uma coisa de surgir a oportunidade e fazermos a parceria. Acho que qualquer artista do nicho rap, eletrônico, nós gostaríamos muito.

Vocês foram inclusos em algumas playlists oficiais tanto do Deezer, quanto do Spotify. Como se sentem com esse reconhecimento?
Benke: Ah, é bom demais né? Faz a gente sentir que o todo o trabalho que fizemos ao longo desse tempo pro Sombrou Dúvida tá valendo a pena, então ficamos muito felizes com isso. Mas no geral não ligamos muito pra esse tipo de coisa sabe? O importante é estar fazendo música.

Falando em playlist, quais músicas não saem da de vocês ultimamente?
Benke: Além de Boogarins [risos], Bullet for my Valentine, a banda Bule, que vem de recife, Nirvana, que é uma grande inspiração para a gente, Travis Scott, por aí.

Vocês imaginavam que suas músicas fariam vocês irem a lugares tão longe um dia?
Benke: Com certeza não, o primeiro álbum mesmo nós fizemos em um quarto, então pensar que isso um dia vai conquistar pessoas no mundo todo e agradar muita gente é impensável. No início, eu e o Dinho criamos a banda e as músicas, e mostrávamos às pessoas próximas da gente. Vendo que elas tinham gostado muito, isso nos deu forças para seguir em frente e mostrar a cada vez mais gente, chegando até a gravadora gringa que se interessou na gente.

Vocês recentemente lançaram o "Sombrou Dúvida". Como foi o processo de criação e principais inspirações pro álbum?
Benke: Como te disse, nosso processo é sempre muito orgânico, a gente não para com aquele propósito, todos os nossos álbuns até hoje foram feitos dessa forma muito natural, talvez seja até isso que esteja faltando em um álbum do Boogarins, o planejamento.

Ah, mas essa "fórmula" que vocês tem usado é exatamente o que dá o frescor e a autenticidade nas músicas de vocês, os fãs parecem estar adorando e nós também.
Benke: [Risos] Poxa, muito obrigado, pois é, eu concordo com você.

E você acha que essa forma de trabalhar ajuda na liberdade criativa da banda? Sem planejar, as coisas fluem melhor?
Benke: Com certeza, isso tá dentro da nossa identidade como grupo, por isso é importante que nós 4 sejamos tão unidos. Ás vezes tocamos por mais de 3 horas direto e do nada alguém tem uma ideia, e os outros sabem que vão ter que mudar o que estavam fazendo para acompanhá-lo, e aí cada um vai tendo uma ideia para a sua parte, que resultam em algo muito positivo, nossas faixas nascem assim.

Qual a tua música preferida do Sombrou Dúvida?
Benke: A minha particularmente é “Nós”, do lado B do “Sombrou Dúvida”. Porque eu acho que nela a gente conseguiu atingir um ápice de rock n roll, com uma energia similar a dos shows ao vivo que é muito boa de escutar.



Inclusive eu ia perguntar sobre isso, ouvindo o "Sombrou Dúvida", a gente sente que as músicas tem uma pegada mais de show ao vivo. Isso foi intencional?
Benke: Com a gente nada é intencional, você sabe [risos]. Mas eu acho que gravar em Austin no Texas ajudou muito nisso, antes éramos só nós 4 fazendo o álbum, porque tínhamos medo de que se envolvessêmos um outro produtor ele modificaria nosso trabalho e levaria para um rumo que não era o nosso. Dávamos o nosso melhor, mas trabalhando lá com o engenheiro de som Tim Gerron, desenvolvemos uma relação de confiança em que ele tirava o melhor do nosso som, mas com a gente ainda tendo total liberdade criativa e de modificação. 
Em “Nós” mesmo, a guitarra ficou bem limpa, justamente dando essa impressão de show ao vivo, então foi muito bom trabalhar com um profissional da área que é realmente bom no que faz.

Vocês já gravaram álbuns e EP no Brasil, depois "Manual" na Espanha, e agora o "Sombrou Dúvida" no Texas, nos Estados Unidos. Quais vocês diriam ser as principais diferenças entre gravar um álbum em três países diferentes?
Benke: É engraçado você mencionar isso porque eu tava conversando com o Dinho esses dias, no documentário, sobre isso. As pessoas acham que por gravar fora ou aqui tem diferença, mas sinceramente, não tem. A única coisa que marca é que estamos longe das namoradas, esposas, família, então acabamos tendo o foco 100% na música. Quando gravamos no estúdio Void mesmo, no Rio de Janeiro, era um local mais isolado, ficamos lá por uma semana, então tocamos por muito tempo e quando vimos várias músicas foram surgindo.

Dava para montar vários álbuns então! [risos]
Benke: Sim [risos]. Então acho que é isso, a gente foca mais na música.

E sobre o público? Tem alguma diferença entre público de fora e o daqui?
Benke: Também não muito, porque assim, se eu tocar em São Paulo, o público é mais calmo que no Rio, isso é o mesmo de que, se eu tocar em Nova York, o público é mais parado, e em Los Angeles é mais agitado.

Então é mais uma questão da região que vocês tocam do que do país propriamente dito?
Benke: Exatamente! É exatamente isso, varia mais de acordo com a região porque umas são mais sintonizadas com o Rock N Roll que outras. Talvez a maior diferença que eu possa te dizer é que lá fora, principalmente nos Estados Unidos, temos um público composto por pessoas mais velhas, que já curtem o Rock N Roll e justamente querem algo mais inovador, diferente, psicodélico. Aqui geralmente o público é mais jovem e foca mais na questão da nossa autenticidade, do indie e etc.

Agora deixa eu tirar uma dúvida, vocês cantam em português, os gringos tentam cantar juntos? [risos]
Benke: [Risos] Tentar eles tentam.

[Risos] E mandam bem?
Benke: [Risos] Com certeza não, mas o que importa é tentar.

E você mencionou um documentário! Pode nos informar mais alguma coisa sobre ele?
Benke: Bem, não vai ser um grande documentário de fato, é mais para um curta, com relatos de fãs e de pessoas que estão com a gente desde o início, além de nós mesmos, falando sobre os bastidores e como foi fazer o “Sombrou Dúvida”, provavelmente ele vai ter esse mesmo nome ou algo parecido, relativo ao álbum.

Agora a última pergunta: O estilo Indie/Alternativo parece estar ganhando cada vez mais espaço nas paradas e na playlist das pessoas. Vocês acham que o Indie vai dominar o mundo e destronar o pop? [Risos]
Benke: Já dominou e perdeu o posto! [risos]. Acho que na época em que o Coldplay, Kings of Leon, The Killers e essas bandas assim estavam em alta, o indie realmemente dominou o mundo, mas agora o pessoal da eletrônica e do rap tá mandando muito bem, e sabendo equilibrar muito bem com a questão do pop, então acho que estão prontos para dominar “as paradas”.

Mas o Boogarins está no caminho certo pra trazer essa de volta pro time Indie!
Benke: [Risos] É o que estamos tentando fazer.

Muito obrigada por conversar com a gente, adoramos o trabalho de vocês!
Benke: Obrigado você, nos vemos em algum show por aí.

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Pauta e entrevista: Andressa Gonçalves.

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