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Review: Carmen fala demais, mas entrega ótimo resultado em novo álbum

Após viralizar no Twitter e conquistar ouvintes em todo Brasil com seu álbum de estreia, Youth Culture, lançado ano passado, a banda carioca Carmen lançou seu segundo em 18 de janeiro desse ano . 

O novo álbum, Talk Too Much, mostra um grande amadurecimento musical na banda, nos clipes já lançados, divulgação e letras, mas principalmente na produção musical, ousando em ritmos mais agitados, podendo conquistar novos fãs fora do cenário independente. Nesse disco, Carmen experimenta com mais riffs de guitarra e sempre levando a honestidade nas letras como o fator principal da musica.
O lançamento ocorreu após o anúncio da mudança de formação da banda, com a saída de Jairo Trinta. Carmen se mantém, portanto, com apenas três dos quatro integrantes originais: Matheus Costa (Vocais/Teclado/Guitarras), Lucas Serra (Baixo) e João Vitor Alves (Bateria). 

Apesar dessa nova sonoridade - mais madura, com maior riqueza de detalhes na produção - importantes aspectos do debut foram mantidos: a produção é totalmente independente e há uma brincadeira entre ritmo e letras, que são mais profundas do que um ouvinte distraído poderia notar. Entre os temas abordados, está a ansiedade social, como eles tem lidado com a exposição da banda na internet e se apaixonar numa cidade como Rio de Janeiro.

O álbum se inicia com Gameboy, uma intro surpreendente. Juntamente com How / Decisions, outra faixa transitória no álbum, essas são as músicas mais curtas do trabalho, mas também as mais diferentes e ousadas do álbum. 

Meeks dá início, de fato, ao disco e já dita o tom agitado que segue pelas outras faixas, como The Big Come Up, que promete ser a trilha sonora das melhores memórias da sua adolescência. Alguém pode, por favor, colocar essa faixa na abertura numa série cheia de drama teen? É uma música deliciosa e com refrão marcante.

A faixa-título mantém o ritmo acelerado, desacelerando um pouco na sua ponte, onde Matheus repete "you talk too much", dando fôlego para a progressão que se segue. Nesse momento, podemos apreciar também a evolução vocal do jovem vocalista, que já tem um estilo bem característico de cantar e compor.

Maybe, Maybe retorna a uma vibe mais parecida com as canções do Youth Culture, talvez por ser a primeira a desacelerar ou por sua atmosfera nostálgica - a letra faz divagações sobre o futuro dos personagens de um amor que não deu certo. 

Give Up, I'm Not Into You nos devolve a percussão bem marcada e ritmo dançante. Essa música foi lançada no fim do ano passado e já ganhou um clipe inspirado em Stranger Things, assista aqui.

Film School parece lutar por destaque após tantas músicas marcantes - ela tem uma sonoridade mais genérica, similar à sua vizinha Sad Signs, que parecem se mesclar até a metade da música, que, quando aparecia que ia terminar, ganha um ritmo mais melódico e mais apropriado à letra, que fala dos "sinais tristes" por toda parte. 

Essa mudança fornece a atmosfera perfeita para To The Waterfalls, que se mantém um clima mais romântico, com riffs marcantes e o convite para um recomeço. Mesmo assim, já parece que é o início da despedida do trabalho - desacelerando, divagando - que se encaminha para se encerrar em Summer, cujo início parece retomar algo da intro Gameboy, mas se mantém calma e hipnótica, com uma voz cautelosa, como se temerosa de quebrar o transe que a melodia proporciona. Até mesmo a guitarra soa distante, sonhadora. É um final adequado após a explosão de energia ao longo das faixas anteriores.

Muitos poderiam dizer que os meninos do Rio de Janeiro de fato falam demais. Eles nunca esconderam o orgulho do resultado antes de seu lançamento, adiantando que era o melhor álbum da banda. Mas a banda não se resume à propaganda e mera falação, e realmente entregou um ótimo resultado no novo disco, que supera o admirável trabalho de estreia em muitos aspectos: há mais confiança para ousar e inovar, todos os músicos mostram evolução, mas a essência é mantida. 

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